Thym avisa: a política de asilo na Alemanha está prestes a ser posta à prova!
O artigo destaca os desafios atuais da política de asilo na Alemanha, discutidos pelo especialista Daniel Thym e por atores políticos.

Thym avisa: a política de asilo na Alemanha está prestes a ser posta à prova!
O actual debate sobre a política de asilo na Alemanha deixa claro que os desafios devem ser enfrentados. Daniel Thym, um renomado especialista em direito de asilo e professor de direito público, criticou recentemente os sinais da política de migração do governo federal em uma palestra na cúpula da UE “Reunião de Migração de Munique” em outubro de 2023. Thym, que também assessora o governo federal, enfatiza que a ideia de regular a distribuição de requerentes de asilo entre os estados da UE com base na solidariedade ficou para trás nas atuais negociações sobre a convenção de direitos humanos. [Welt] relata que Thym vê o mecanismo de solidariedade, que prevê uma distribuição justa dos migrantes na Europa, como um incentivo para os estados do sul da Europa aceitarem de volta os requerentes de asilo.
O sistema de Dublin, que regula qual país é responsável por um procedimento de asilo, é descrito como disfuncional. Em 2023, a Alemanha solicitou 74.622 regressos no âmbito do procedimento de Dublin, mas só conseguiu transferir efetivamente 5.053 requerentes de asilo para o país parceiro da UE responsável. No ano seguinte os números permaneceram semelhantes: das 74.583 transferências solicitadas, apenas 5.827 puderam ser realizadas. As razões para estas quotas estagnadas residem nas condições não cumpridas em alguns países e nas preocupações jurídicas noutros países. [DW] também destacou que o Departamento Federal para Migração e Refugiados (BAMF) muitas vezes não consegue cumprir os prazos.
Um quadro jurídico confuso
Thym destaca que a próxima mudança no sistema de Dublin a partir de junho de 2024 poderá trazer progressos. No futuro, os procedimentos de asilo serão processados nas fronteiras externas da UE. Isto significaria que países como a Alemanha teriam de ser menos confrontados com as condições incertas de repatriamento. No entanto, Thym alerta que viagens ilegais podem complicar a situação.
A discussão sobre como a Alemanha lida com o número crescente de requerentes de asilo permanece atual. Em 2023, mais de 100.000 novos requerentes de asilo chegaram à Alemanha e, apesar dos esforços de integração, existem problemas de coesão social. Thym identifica três grandes áreas de construção: a execução de decisões, a simplificação das leis de asilo da UE e a interpretação mais estrita dos direitos humanos. No entanto, alerta para as consequências negativas de uma interpretação excessivamente estrita da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que o Governo Federal não está actualmente a abordar activamente.
Soluções políticas em cima da mesa
No meio destes desafios, Friedrich Merz, da CDU, apresentou propostas para reforçar as regras de entrada e migração. Ele pretende um plano de cinco pontos no Bundestag, que, entre outras coisas, apela a uma rejeição consistente de entradas ilegais. Merz argumenta que a legislação nacional deve ser aplicada se as regulamentações europeias não funcionarem. No entanto, seus planos foram alvo de críticas. A ministra federal dos Negócios Estrangeiros, Annalena Baerbock, alerta para as possíveis consequências negativas para a Europa e questiona a viabilidade de tais medidas.
O problema dos regressos não afecta apenas a Alemanha, mas é uma preocupação europeia abrangente. A criação de “centros de regresso”, como propõe Thym, poderia ser testada em países como o Uganda ou a Tunísia, mas aqui também existem preocupações em matéria de direitos humanos.
Com uma nova lei de asilo que entrará em breve em vigor e a perspectiva do fim dos controlos nas fronteiras internas em Junho de 2024, um novo vento poderá soprar na política de asilo. Resta saber se conseguiremos controlar os desafios. No entanto, uma coisa é certa: o estado da política europeia de migração é uma questão que requer soluções urgentes. [Eurostat] destaca a necessidade de desenvolver uma estratégia sustentável e baseada em dados para garantir o futuro da Europa.