Dez anos depois Podemos fazê-lo: a política de refugiados dividida da Alemanha

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Dez anos depois de “We can do it” de Merkel, o artigo destaca as mudanças na política de refugiados da Alemanha e a ascensão da AfD.

Zehn Jahre nach Merkels "Wir schaffen das" beleuchtet der Artikel die Veränderungen in Deutschlands Flüchtlingspolitik und den Aufstieg der AfD.
Dez anos depois de “We can do it” de Merkel, o artigo destaca as mudanças na política de refugiados da Alemanha e a ascensão da AfD.

Dez anos depois Podemos fazê-lo: a política de refugiados dividida da Alemanha

Há exactamente dez anos, em 2 de Setembro de 2015, Angela Merkel moldou a política alemã de refugiados com a sua poderosa frase “Nós conseguimos”. Naquela época, a Alemanha foi confrontada com um dos maiores movimentos de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Cerca de 800 mil pessoas permaneceram nas fronteiras do país em busca de segurança e uma vida melhor. Contudo, esta cultura inicial de acolhimento mudou significativamente ao longo dos anos. n-tv relata que o otimismo foi substituído pela desilusão.

Os ventos políticos mudaram desde então. De acordo com sondagens recentes, a Alternativa para a Alemanha (AfD) é o partido mais popular que molda a agenda política, com os refugiados sempre na vanguarda como uma questão central. A CDU e a CSU afastaram-se do rumo original de Merkel e o isolamento parece agora ser o novo lema do momento. notícias diárias mostra que até a coligação dos semáforos introduziu controlos fronteiriços e está a recusar requerentes de asilo nas fronteiras.

Uma mudança na integração

A evolução da situação dos refugiados traz não só desafios, mas também progressos. Desde 2015, cerca de 64% dos refugiados encontraram trabalho, mas a integração continua a ser um desafio. Subsistem ainda dificuldades, nomeadamente no que diz respeito ao reconhecimento das qualificações e ao acolhimento de crianças. O custo de vida aumentou e a discussão sobre o acesso ao mercado de trabalho para muitas mulheres ucranianas que vieram para a Alemanha no ano passado tornou-se agora um tema quente.

Embora a taxa geral de criminalidade tenha diminuído, as estatísticas mostram que os estrangeiros são cada vez mais considerados suspeitos. Isto suscita preocupações, especialmente no que diz respeito aos jovens que sofreram violência. Mais de 20 mil deportações foram registradas no ano passado, um aumento de 20%. Os incentivos ao regresso e as deportações fazem parte do pacote de integração que, apesar de todos os esforços, enfrenta desafios.

Reações políticas e planos futuros

A própria Merkel defende a sua decisão na altura de não fechar as fronteiras e sublinha que as lições do passado continuarão importantes no futuro. Entretanto, a Alemanha e a UE estão a trabalhar em medidas para reduzir o número de imigração, incluindo pagamentos a países como a Tunísia e a Líbia. Deverá ser procurada outra solução com o novo Sistema Comum de Asilo (SECA), que oferecerá a possibilidade de realizar procedimentos de asilo nas fronteiras externas da UE a partir do próximo ano.

As circunstâncias políticas permanecem tensas. A AfD passou de um partido mais moderado sob Bernd Lucke para um movimento mais radical em que a migração e a suposta “islamização dos imigrantes” são questões dominantes. Enquanto outros partidos lutam para encontrar uma solução para os argumentos da AfD, o fosso entre os campos políticos na Alemanha continua a ser perceptível.

Resta saber como se desenvolverá ainda mais a pressão migratória. Embora o número de pedidos de asilo esteja a diminuir, as experiências dos últimos anos mostram que o futuro também apresentará novos desafios. A frase “Nós podemos fazê-lo” ressoa e torna-se cada vez mais uma pedra de toque para as decisões políticas de amanhã.