Ataque incendiário em Frankfurt: uma morte e a sombra do ódio
Um dia aberto acontecerá no Museu Judaico de Frankfurt em 25 de outubro de 2025. O último romance policial de Michel Bergmann é apresentado em uma leitura enquanto a cidade enfrenta um crescente anti-semitismo.

Ataque incendiário em Frankfurt: uma morte e a sombra do ódio
No dia 25 de outubro de 2025, a cidade de Frankfurt permanecerá sob os olhos do público. Neste dia, o “Dia Aberto” é celebrado no Museu Judaico, mas os acontecimentos são ofuscados por um trágico incidente: um incêndio criminoso no restaurante kosher Shuk ceifou a vida do ajudante de cozinha Patrice Sankara, que veio originalmente de Burkina Faso. A polícia identificou um conhecido extremista de direita como o suspeito do crime, mas Henry Silberstein, um rabino e investigador de Frankfurt, expressou dúvidas sobre esta teoria. Toda a situação lança uma luz preocupante sobre as tensões sociais na região e a forma como o anti-semitismo é tratado na Alemanha.
Este ataque incendiário não é o primeiro incidente desse tipo. De acordo com statistic.de, tem havido um aumento preocupante de incidentes anti-semitas na Alemanha nos últimos anos, que se intensificaram particularmente no contexto do conflito entre o Hamas e Israel. Ainda em 2022, foram registados mais de 2.600 crimes antissemitas, com a maioria dos crimes enquadrando-se no espectro da criminalidade de direita. O aumento de tais actos tem sido particularmente dramático desde a pandemia de Covid-19, que resultou num aumento de declarações anti-semitas e de violência em toda a Alemanha.
Um evento cultural significativo
Apesar destas circunstâncias sombrias, o Museu Judaico está determinado a celebrar a cultura. O “Dia Aberto” não só marca a publicação póstuma do romance policial “Você não mentirá” de Michel Bergmann, que morreu em 2023 aos 80 anos, mas também oferece uma plataforma para conversas e discussões sobre os direitos dos judeus na Alemanha. A leitura é conduzida por personalidades conhecidas como Ilja Richter e Vivian Kanner e é uma expressão de resiliência cultural).
A diretora do museu, Mirjam Wenzel, pretende posicionar a casa como pioneira digital, incluindo o desenvolvimento de um canal TikTok para atingir o público mais jovem. No entanto, o museu também tem de enfrentar os desafios do anti-semitismo e da discriminação. Houve 14 queixas-crime em 2024 e 27 já foram denunciadas até 2025. Isto realça as tensões crescentes que existem na sociedade.
Desafios sociais e anti-semitismo
O anti-semitismo na Alemanha continua a ser um problema complexo. Uma pesquisa de 2022 mostra que 30% dos entrevistados disseram ter ouvido piadas antissemitas na vida cotidiana. Comentários depreciativos sobre os judeus são frequentemente encontrados nas redes sociais e até mesmo em círculos pessoais. Estes preconceitos têm raízes históricas e são difundidos não só na Alemanha, mas também em todo o mundo.
No entanto, cerca de 70 anos após o Holocausto, a consciência do anti-semitismo é muitas vezes ainda insuficiente. Um vasto leque de pessoas, incluindo actores políticos e cientistas sociais, sublinham a necessidade de combater activamente este ódio e de promover uma sociedade inclusiva.
Em resumo, pode-se dizer que o “Dia Aberto” em Frankfurt é uma tentativa de fortalecer e celebrar a identidade cultural, apesar do pesado fardo do anti-semitismo e da discriminação. Os desafios que o Museu Judaico enfrenta não são apenas íntimos para a comunidade judaica em Frankfurt, mas afectam toda a sociedade na Alemanha.